O que você quer ser quando crescer?

Como toda criança sonhadora, ao ser perguntado sobre o que queria ser quando crescer, em geral respondia o previsível: piloto de avião, bombeiro, policial, bancário, engenheiro, médico, jogador de futebol, variando minha escolha de acordo com o humor do momento, e, claro, do status social (para impressionar os amiguinhos). Na minha época de primário, ser bancário (pelo menos no meu limitado mundinho meninil) era “a” profissão.

No auge dos meus 10 anos de idade, depois de assistir ao filme Top Gun – Ases Indomáveis, impressionado com os caças e aviões, decidi definitivamente (risos) entrar para a Força Aérea Brasileira. Como não poderia ser diferente, horas e mais horas eram dedicadas à pilotagem de um F-14 Tomcat imaginário, em defesa da soberania nacional.

O tempo foi passando e infelizmente ficou claro que as condições financeiras de minha família não seriam suficientes para que eu alcançasse meus sonhos. Meu pai era cabo da Polícia Militar do Maranhão e minha mãe, dona de casa, sendo que a renda só dava mesmo para não passar fome. A vida era bem difícil para meu pai, minha mãe, meu irmão e eu, porém, nossa infância foi muito legal em Bacabal.

Depois de querer ser piloto de caça, veterinário e contador, em 1995, fiz meu primeiro curso de Informática… Ah, e como foi maravilhoso! Até então, eu só tinha visto computadores em filmes e na agência do Banco do Brasil da cidade. Aquele admirável mundo novo de microcomputadores com processador 486 DX4 de 100 MHz, com sistema operacional DOS e Windows 3.11, além do Word Star (editor de texto), DBase (banco de dados) e Quatro Pro (planilha eletrônica) influenciou sobremodo minha futura escolha profissional, juntamente com minha considerável melhora em Matemática e Física. Já estava decidido: eu queria ser um Engenheiro de Computação.

Como não existia esse curso no Maranhão, nessa época passei a me interessar em estudar fora, particularmente nas grandes universidades do país, como a USP, Unicamp, ITA e IME. O ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) me agradava mais porque oferecia o Curso de Engenharia de Computação, além de ser uma instituição ligada à Aeronáutica (efeito Top Gun). Infelizmente, não foi possível prestar vestibular para essas universidades, uma vez que os custos com inscrições, passagens e hospedagens seriam consideráveis. Fiquei muito frustrado…

Também não consegui fazer mais nenhum curso na área de Informática e Computação. Como os custos para a instalação e manutenção desses cursos eram muito altos, só as pessoas mais abastadas da cidade faziam. Procurei, então, investir em algo mais acessível – livros. Adquiri muitos livros e passei muitas horas de minha adolescência lendo de tudo – de jornal, passando por revistas em quadrinhos até as obras de Dostoievski, estas últimas exercendo grande influência sobre minha forma de ver o mundo e as pessoas até hoje.

Acabei prestando, a contragosto, vestibular para Engenharia Elétrica na UFMA, pois era o curso mais “próximo” de Engenharia da Computação, sendo aprovado em 1º lugar, para minha surpresa.

Os semestres que se seguiram não foram fáceis! Vindo de Bacabal e morando sozinho, a solidão e a saudades eram constantes, e, com o tempo, também se tornou difícil para meu pai sustentar-me… O jeito mesmo foi correr atrás de um emprego! Ainda bem que não demorei muito a conseguir um trabalho.

Tenta ali, entrega currículo aqui, fiquei sabendo de uma Bolsa-Trabalho no Núcleo de Tecnologia da Informação da UFMA… Nossa! Como fiquei eufórico ao ser selecionado! Era a primeira vez em que eu trabalhava na vida, e melhor ainda porque era na área que eu mais gosto – Redes de Computadores! Fiquei convicto de uma vez por todas que minha área era Computação e Informática.

Durante o tempo que trabalhei no NTI, cerca de um ano e meio, constantemente eu me sentia incomodado com o fato de não viver os meus sonhos, de não correr atrás das coisas das quais gostava… e de ter aceitado continuar a ser e a ter aquilo que eu não queria… Nesses momentos, muitas bobagens inúteis passam por sua cabeça! Você se acha velho ou incapaz… Pensa ainda que as coisas sejam assim mesmo e não é possível mudá-las…

Como é difícil perceber que nossa mente existe para nos auxiliar, e não para nos destruir!

Saí do NTI para trabalhar no Hospital Universitário da UFMA, após ser aprovado em um concurso público, vencendo uma concorrência descomunal de 217 candidatos/vaga. Com o salário que passei a ganhar, foi-me possível concluir o curso de Técnico em Informática na FAMA, recebendo as honras de melhor aluno (ao passar em 1º lugar para Técnico de Laboratório – Área: Informática da UFMA) e dando um considerável passo na profissão que abraçara outrora. Em seguida, finalmente, criei coragem e tranquei a faculdade de Engenharia Elétrica na UFMA e me inscrevi no vestibular da UEMA, para o segundo semestre de 2008. O maior impasse era o fato de eu não ter mais noção alguma de Biologia, Química, História e Geografia, além de contar com uma concorrência considerável…

Ah… Mãe, passei em 2º lugar!!!

Ao começar o curso de Engenharia da Computação, percebi que a vida não é feita estritamente de metas, objetivos ou sonhos. Havia conquistado meu tão sonhado objetivo, porém, ainda me sentia “incompleto”. Geralmente, quando as pessoas são indagadas a cerca de seus sonhos, respondem que querem ser profissionais bem-sucedidos, com um excelente salário, um carro e uma boa casa. Ser engenheiro da computação ou ter outra profissão qualquer é uma exigência do sistema econômico do qual fazemos parte, é apenas um meio de ganhar o pão, não minha vida. O mais importante na vida são as pessoas!

Hoje, como acadêmico da UEMA, procuro “aprender a aprender” e construir relações interpessoais sólidas e duradouras, pois entendo que quem sabe aprender pode fazer qualquer coisa, principalmente em uma área como a Computação e Informática, onde a maioria das profissões não existia há uns 10 anos.

Com o tempo você percebe que “sonhar” em ser um engenheiro da computação é algo muito vago e até certo ponto mesquinho. Quem era mesmo que queria ser Administrador de Redes? Ou Gerente de e-commerce? Ou Web Designer? Ou Coordenador de Data Warehouse?

Adoro essa área, mas tenho que estar preparado para as mudanças e para as pessoas!

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